Do Pantanal à pesquisa: Júlia Marinho investiga o protagonismo feminino na pesca esportiva

Para Júlia Marinho, estudante do 6º semestre de Publicidade e Propaganda, a relação com o Pantanal e com a pesca esportiva começou muito antes da universidade. Natural de Corumbá, ela cresceu acompanhando a rotina da pesca esportiva por meio do negócio da família, um barco-hotel. Nesse ambiente, predominantemente masculino, surgiu uma inquietação que anos depois se transformaria em pesquisa acadêmica.

“Esse artigo é muito pessoal pra mim. Sou de Corumbá, minha família tem barco-hotel, então cresci na pesca esportiva vendo aquele espaço ser quase exclusivamente masculino”, relata Júlia.

A experiência fez com que a estudante começasse a observar como os papéis de gênero se estabelecem em determinados ambientes e como a comunicação pode contribuir para questionar essas estruturas. Foi nesse contexto que o projeto Anzol Rosa chamou sua atenção.

Criado em 2022, o projeto reúne mulheres em experiências de pesca esportiva no Pantanal e se tornou, para Júlia, um exemplo de transformação na ocupação desse espaço. “Ver centenas de mulheres ocupando o Pantanal mostrou uma mudança de cenário muito bonita”, conta.

A partir dessa percepção, Júlia, em parceria com seu orientador, Gabriel Ferraciolli, desenvolveu uma pesquisa voltada à comunicação digital e ao protagonismo feminino. O estudo analisou os comentários publicados no Instagram do projeto e contou também com uma entrevista com Joice Marques, idealizadora do Anzol Rosa.

Durante a investigação, os pesquisadores identificaram aspectos relacionados ao sentimento de pertencimento, à criação de redes de apoio e ao reconhecimento entre as próprias participantes. Mais do que a presença feminina na pesca esportiva, a pesquisa buscou compreender como a comunicação digital pode contribuir para fortalecer essas relações e dar visibilidade a novas formas de ocupar o espaço.

“Enxerguei ali uma oportunidade de pesquisar como a comunicação digital pode ajudar a construir o protagonismo feminino e, de certa forma, questionar esse padrão antigo”, explica Júlia.

A pesquisa também representa um encontro entre a trajetória pessoal da estudante e sua formação em Comunicação. Uma experiência que fazia parte de sua vida desde a infância passou a ser observada por meio de uma perspectiva acadêmica, transformando uma inquietação pessoal em objeto de estudo.

Para Júlia, levar esse trabalho ao Intercom Júnior torna esse processo ainda mais significativo. A oportunidade de compartilhar a pesquisa academicamente representa não apenas uma conquista acadêmica, mas também uma forma de dar visibilidade a uma iniciativa criada por mulheres e voltada para mulheres.

“É uma forma de levar uma experiência que eu acompanho desde criança para dentro da Comunicação e, ao mesmo tempo, dar visibilidade a um projeto criado por mulheres e para mulheres”, afirma.

Ao transformar uma vivência pessoal em pesquisa, Júlia mostra como a Publicidade e Propaganda pode ultrapassar os limites da criação de campanhas e peças publicitárias. A área também permite observar comportamentos, relações sociais e as formas como a comunicação participa da construção de novos espaços e representatividades.

O trabalho foi apresentado no Intercom Júnior, na etapa remota do congresso, dentro da categoria IJ08 – Comunicação e Marketing. A participação marcou mais um momento importante na trajetória acadêmica de Júlia, levando sua pesquisa sobre comunicação digital e protagonismo feminino para um espaço de discussão científica na área da Comunicação.

“Poder transformar uma inquietação que sempre esteve tão perto em pesquisa e conseguir compartilhar isso academicamente é, sem dúvida, uma das partes que mais me orgulha desse trabalho”, finaliza a estudante.

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